Qualquer livro de editora abre com a mesma sequência de páginas antes do primeiro capítulo. Não se trata de ornamento: cada página cumpre uma função, e a ordem é regulada por norma (a ABNT NBR 6029 trata de livros e folhetos) e por uma convenção editorial consolidada ao longo de séculos. Autores independentes costumam pular etapas ou trocá-las de lugar, e o resultado é identificado por leitores experientes na primeira folheada.
Pré-textuais: o que vem antes do texto
As páginas anteriores ao primeiro capítulo formam o pré-texto. Elas contam na paginação, mas não recebem número visível. A ordem:
- Falsa folha de rosto. Apenas o título, em corpo menor do que na folha de rosto, na primeira página ímpar. O verso fica em branco ou lista outras obras do autor.
- Folha de rosto. Título, subtítulo, autor, tradutor ou organizador quando houver, editora, cidade e ano. É o registro oficial do livro; a capa pode variar, a folha de rosto não.
- Ficha catalográfica. No verso da folha de rosto, com dados de catalogação, ISBN, nome do bibliotecário responsável e informações de direitos autorais, créditos e edição. Está explicada em detalhe aqui.
- Dedicatória. Curta, em página ímpar, no terço superior ou ao centro, em itálico. Verso em branco.
- Epígrafe. Citação que dá o tom da obra, com autoria, em página ímpar. Capítulos podem ter epígrafes próprias.
- Sumário. Lista de capítulos e seções com números de página. Vem depois da epígrafe e antes de qualquer texto de apresentação, porque também os lista. É gerado a partir dos títulos após o fechamento da paginação.
- Prefácio ou apresentação. Texto de outra pessoa sobre a obra ou o autor. Quando o próprio autor escreve, chama-se apresentação ou nota do autor.
- Introdução. Do autor, apresenta assunto, objetivo e estrutura. É parte do texto, e alguns editores a numeram como primeiro capítulo.
Nem todo livro traz todas as páginas. Um romance costuma ter falsa folha de rosto, folha de rosto, ficha, dedicatória, epígrafe e sumário; um livro técnico acrescenta apresentação, introdução e, às vezes, lista de abreviaturas. A ordem entre as páginas existentes não muda.
Textuais: o corpo da obra
O texto começa na primeira página ímpar após o pré-texto, e é ali que a numeração visível costuma iniciar; algumas editoras numeram desde a folha de rosto, e ambas as convenções são aceitas, desde que consistentes.
- Partes. Obras longas podem ser divididas em partes, cada uma com página de abertura própria seguida de página em branco.
- Capítulos. Cada um abre em página nova, com título e número; nas edições mais formais, sempre em página ímpar. As seções internas recebem subtítulos em hierarquia visível, e dois níveis bastam para quase todo livro.
- Notas. No rodapé, no fim do capítulo ou no fim do livro. Notas de rodapé favorecem o leitor; notas de fim, a diagramação.
- Conclusão ou epílogo. Em ficção, o epílogo é um capítulo curto após o desfecho; em não ficção, a conclusão retoma a tese.
Pós-textuais: o que vem depois
Após o último capítulo, na ordem:
- Posfácio. Texto de terceiro, ou do autor escrito depois, que comenta a obra à luz do que o leitor já leu.
- Agradecimentos. Podem ficar no pré-texto, mas a tendência atual é deixá-los no fim, para não atrasar a entrada no livro.
- Apêndices e anexos. Material complementar. Apêndice é produzido pelo autor; anexo, por terceiros.
- Glossário. Termos com definição, em ordem alfabética.
- Referências bibliográficas. Obrigatórias em obras técnicas e acadêmicas, no padrão ABNT ou da área.
- Índice remissivo. Assuntos e nomes com as páginas em que aparecem; só é montado após a paginação final.
- Sobre o autor. Biografia curta, com foto opcional. Em livros com orelha, a biografia vai na orelha e a página pode ser dispensada.
- Colofão. A última página, com informações sobre fonte, papel e gráfica. Opcional.
As trocas que mais aparecem
Profissionais que recebem manuscritos para diagramação relatam sempre os mesmos deslocamentos: agradecimentos antes da folha de rosto; sumário antes da dedicatória; introdução tratada como prefácio, ou o inverso; prefácio escrito e assinado pelo próprio autor; sumário digitado à mão com números incorretos; e a página "Sobre o autor" na abertura. Nenhum impede a publicação; todos denunciam a ausência de um editor.
O excesso é outro sintoma: dedicatória, epígrafe, agradecimentos, apresentação, prefácio e introdução, tudo antes do capítulo 1, em um romance de 150 páginas. Para ficção, três páginas de pré-texto costumam bastar.
Classificação automática dos blocos
Plataformas de diagramação automática passaram a identificar os pré e pós-textuais no manuscrito. No Meu Livro Pronto, dedicatória, epígrafe, agradecimento, prefácio, introdução e posfácio são separados dos capítulos e posicionados conforme a ordem acima, com folha de rosto, página da ficha e sumário gerados automaticamente; blocos classificados de forma diferente da pretendida podem ser movidos, renomeados ou apagados no editor do painel, com nova geração do livro sem custo.



